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Lucian perguntou:

Estudo sobre jejum. Alguém recomenda algum?

Boa tarde. Gostaria de uma recomendação de um bom estudo sobre jejum.

O que vejo por aí são as pessoas fazendo sacrifícios enormes para conseguir (barganhar) bençãos com Deus, acho tudo isso uma bobagem. O único sacrifício que realmente pode fazer algo por nós é o sacrifício de Cristo, e se ele não fosse suficiente, não seria um jejum que iria mudar a situação. Essa é minha opinião.

Tenho um bom conhecimento de Novo testamento, mas não muito sobre antigo testamento, gostaria de um bom estudo para realmente entender este assunto, porque o jejum foi criado? Porque é importante? O que realmente representa?

Alguém pode me ajudar, com algo realmente fundamentado na Bíblia?

Obrigado.

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Vanderlei respondeu:

Depois de Cristo se tornou apenas ritual.

"Você jejua? Dê-me prova disto por suas obras. Se você vê um homem pobre, tenha piedade dele. Se você vê um amigo sendo honrado, não o inveje. Não deixe que somente a sua boca jejue, mas também o olho e o ouvido e o pé e as mãos e todos os membros do seu corpo.

Que as mãos jejuem, sendo livres de avareza. Que os pés jejuem, cessando de correr atrás do pecado.Que os olhos jejuem, disciplinando-os a não fitarem o que é pecaminoso.Que os ouvidos jejuem, não ouvindo conversas más e fofocas.

Que a boca jejue de palavras vis e de criticismo injusto. Porque, qual é o proveito se nos abstemos de aves e peixes, mas mordemos e devoramos os nossos irmãos?

Possa Aquele que veio ao mundo para salvar pecadores nos fortalecer para completarmos o jejum com humildade, tendo misericórdia de nós e nos salvando."

João Crisóstomo (349-407), bispo de Constantinopla, foi um dos teólogos e escritores mais importantes do início da Igreja Cristã.

www.monergismo.com/textos/oracao/jejum-obrigatorio_hanko.pdf

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Lucian respondeu:

Muito obrigado.
Deus abençoe.

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Vanderlei respondeu:

Escolhida como melhor resposta pelo autor

Acima citei João Crisóstomo, aqui um estudo Bíblico:

Um dos versículos mais claros acerca do jejum está na pergunta que o Senhor faz aos judeus: "Quando jejuastes e pranteastes no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, jejuastes vós para mim, mesmo para mim?" (Zc 7.5).

Creio que o jejum para o Senhor não é aquele em que deixamos de comer, ou fazer qualquer coisa, para termos mais comunhão com Ele, mas exatamente o contrário. Creio que é ter tanta comunhão com Ele que tudo o mais passa para o segundo plano, inclusive o comer. Lendo Isaías 58 você verá que o jejum verdadeiro é o despojar‑se de si mesmo.

Em todo caso, o jejum verdadeiro é algo tão íntimo que se uma pessoa contasse a você como ela faz o jejum, já não seria um jejum sincero pois o próprio Senhor disse: "Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará" (Mt 6.17,18). Portanto, desconfie da sinceridade daqueles que proclamam aos quatro ventos que estão jejuando.

Deus não instituiu um jejum na Lei dada aos israelitas. O primeiro jejum que aparece na Bíblia é o de Moisés, quando subiu ao monte para receber as tábuas da Lei, ficando quarenta dias e quarenta noites sem comer.

Êxodo 34:28 - "E esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos."

O jejum de Moisés, e também de Elias em 1 Rs 19:8, significava uma separação da vida normal da carne para estar com o Senhor e dedicar-se exclusivamente a Ele.

1Rs 19:8 - "Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus."

O primeiro jejum coletivo foi em Juízes 20:26 e foi decorrente da humilhação vinda do fracasso e da derrota.

Jzs 20:26 - "Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde.

A ímpia Jezabel também decretou um jejum em nome de seu marido Acabe, nas cartas enviadas ao povo, para dar um ar de religiosidade ao homicídio que estava prestes a cometer, mostrando que o jejum também pode estar conectado a atos de impiedade.

1Rs 21:9-10 - "E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo. E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei; e trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra."

O primeiro jejum condicional, ou seja, do tipo em que se faz algo para se buscar o favor de Deus, foi em 2 Crônicas 20:3 quando Jeosafá proclamou um jejum em todo o Judá por causa da iminência de um ataque das forças inimigas.

2Cr 20:3 - "Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o SENHOR, e apregoou jejum em todo o Judá."

Ao que tudo indica, apesar de não ter sido instituído na Lei, era um costume entre o povo de Israel e o próprio Senhor fala do jejum em uma passagem:

Marcos 9:29 - "E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum."

William MacDonald comenta:

"Jejuar é privar-se da gratificação de qualquer apetite físico. Pode ser voluntário, como em Mt 6:16-17, ou involuntário (At 27:33; 2 Co 11:27). No NT está associado à tristeza (Mt 9:14-15) e oração (Lc 2:37; At 14:23). Nestas passagens (Mt 6:16-18) o jejum é acompanhado de oração num reconhecimento da sinceridade em se discernir a vontade de Deus.

O jejum não tem qualquer mérito no que diz respeito à salvação, e nem dá a um cristão uma posição especial diante de Deus. Um fariseu certa vez gabou-se de jejuar duas vezes por semana, porém aquilo não lhe deu a justificação que buscava (Lc 18:12, 14). Mas quando um cristão jejua secretamente como um exercício espiritual, Deus vê e recompensa. Apesar de não ser ordenado no NT, o jejum é encorajado pela promessa de uma recompensa. Ele pode ajudar na vida de oração de alguém por afastar da pessoa a sonolência e o entorpecimento. Ele é valioso em épocas de crise quando se deseja discernir a vontade de Deus. E tem seu valor em promover a auto-disciplina. Jejuar é uma questão entre o indivíduo e Deus e deveria ser feito apenas com o desejo de agradar a Deus. Ele perde o seu valor quando é uma obrigação vinda de fora ou feito com o objetivo de se exibir." (W. MacDonald)

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